Cartão de crédito: como usar a favor e fugir do rotativo
O rotativo do cartão cobrava em média mais de 450% ao ano em setembro de 2026. Veja as regras, os limites legais e como usar o cartão sem se endividar.
O cartão de crédito pode ser um aliado: concentra gastos, dá prazo para pagar e oferece pontos ou cashback. Mas também é a porta de entrada para uma das dívidas mais caras do país.
O tamanho do problema
Segundo as estatísticas de crédito do Banco Central, a taxa média de juros do rotativo do cartão para pessoas físicas foi de 451,7% ao ano em setembro de 2026. Uma dívida de R$ 1.000 que fique rolando por um ano a essa taxa passaria de R$ 5.000, se não houvesse limite legal.
O que é o rotativo
Quando você paga qualquer valor entre o mínimo e o total da fatura, o restante entra no crédito rotativo e é cobrado com juros na fatura seguinte. Pelas regras do Conselho Monetário Nacional, o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte. Depois disso, o banco deve oferecer um parcelamento, em geral com juros menores, mas ainda altos.
O limite dos juros
Desde janeiro de 2024, por causa da Lei nº 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida. Ou seja, uma dívida de R$ 1.000 pode chegar, no máximo, a R$ 2.000. Ajuda, mas continua sendo muito caro.
Regras de ouro
- Pague sempre o valor total da fatura. Se não for possível, essa é a primeira dívida a resolver.
- Use o cartão como meio de pagamento, não como renda extra. Só compre no cartão o que você pagaria à vista.
- Cuidado com parcelas pequenas. Somadas, elas comprometem a renda dos próximos meses.
- Defina um limite menor que o oferecido pelo banco.
- Anuidade: só vale pagar se os benefícios, como pontos e seguros, superarem o custo.
- Mude a data de vencimento para alguns dias depois do recebimento do salário.
Já entrei no rotativo. E agora?
- Troque a dívida por uma mais barata: empréstimo pessoal ou consignado costumam ter juros muito menores que o rotativo.
- Negocie diretamente com o banco ou em mutirões de renegociação.
- Corte gastos temporariamente e direcione tudo para a quitação.
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