Cheque especial: por que ele é tão caro e como sair dele
O cheque especial cobrava em média 139% ao ano em setembro de 2026. Entenda o limite legal de juros e um plano prático para deixar de usá-lo.
O cheque especial é um limite de crédito pré-aprovado ligado à conta corrente. Ele é cômodo, porque entra automaticamente quando o saldo fica negativo, e justamente por isso é perigoso: muita gente usa sem perceber.
Quanto custa
Segundo o Banco Central, a taxa média do cheque especial para pessoas físicas foi de 139% ao ano em setembro de 2026. Desde 2020, uma regra do Conselho Monetário Nacional limita os juros a 8% ao mês, o que equivale a cerca de 152% ao ano. Mesmo com o teto, é uma das linhas de crédito mais caras do mercado.
Por que ele vira uma bola de neve
Os juros são calculados sobre o saldo negativo de cada dia e cobrados no mês seguinte, aumentando o próprio saldo negativo. Quando o salário cai, ele é usado para cobrir o buraco, e no fim do mês o cliente volta a entrar no limite. Esse ciclo pode durar anos.
Plano para sair
- Descubra o tamanho real: veja o saldo negativo médio dos últimos três meses e quanto você pagou de juros e IOF.
- Troque por uma dívida mais barata: peça ao banco um empréstimo parcelado com juros menores para quitar o saldo de uma vez. O consignado, quando disponível, costuma ser a opção mais barata.
- Reduza ou cancele o limite: depois de quitar, peça ao banco para diminuir o limite. Sem a tentação, fica mais difícil voltar.
- Monte um colchão: mesmo que pequeno, um saldo positivo de algumas centenas de reais evita entrar no limite por pequenos descompassos de datas.
- Reorganize as datas: concentre os débitos automáticos logo depois do recebimento do salário.
Exemplo
Quem usa R$ 2.000 de cheque especial o mês inteiro, a 8% ao mês, paga cerca de R$ 160 de juros por mês, mais IOF. Em um ano, são quase R$ 2.000 apenas de juros, o valor da própria dívida. Trocar por um empréstimo pessoal a 4% ao mês, por exemplo, reduz esse custo pela metade e ainda tem data para acabar.
Consulte suas dívidas
O Registrato, do Banco Central, mostra gratuitamente todos os empréstimos e financiamentos no seu CPF. É um bom ponto de partida para organizar o plano. Veja também 5 passos para sair das dívidas e como fugir do rotativo do cartão.