Tesouro IPCA+: por que ter este título na carteira para se proteger da inflação
Título que paga a inflação mais uma taxa fixa, ideal para objetivos de longo prazo. Em julho de 2026, alguns vencimentos chegaram a pagar mais de 8% ao ano acima do IPCA.
O Tesouro IPCA+ é um título público híbrido: paga a variação da inflação, medida pelo IPCA, mais uma taxa de juros fixa definida no momento da compra. Se você compra a IPCA + 7% e leva até o vencimento, o seu dinheiro cresce 7% ao ano acima da inflação, aconteça o que acontecer com os preços. Por isso, ele é o título mais usado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, educação dos filhos ou compra de um imóvel daqui a muitos anos.
As taxas em julho de 2026
Em julho de 2026, as taxas reais oferecidas estavam em níveis historicamente elevados:
- Títulos com vencimento intermediário (2032 e 2035) chegaram a pagar cerca de IPCA + 8,3% ao ano, e o 2032 encostou em 8,44% em algumas semanas antes de julho.
- O IPCA+ 2040 estava perto de IPCA + 7,8% no fim do mês.
- O IPCA+ 2050 pagava cerca de IPCA + 7,5%.
Para comparação, em boa parte da última década era comum encontrar esses títulos entre IPCA + 3% e IPCA + 6%. Taxas acima de 7% reais aparecem em momentos de maior incerteza fiscal e juros altos.
O risco: marcação a mercado
Ao contrário do Tesouro Selic, o IPCA+ oscila bastante antes do vencimento. Se as taxas de mercado sobem depois da sua compra, o preço do título cai, e quem vende antes do prazo pode ter prejuízo. O inverso também vale: se as taxas caem, o título se valoriza.
Por isso, a regra de ouro é escolher um vencimento próximo da data do seu objetivo e estar disposto a levá-lo até o fim. Assim, as oscilações do caminho não importam, e você recebe exatamente a taxa contratada.
Com ou sem juros semestrais?
- Tesouro IPCA+ (sem cupom): paga tudo no vencimento. É mais indicado para acumular patrimônio, porque o Imposto de Renda só é cobrado no final, e já na alíquota mínima de 15%.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais: paga parte do rendimento a cada seis meses. É útil para quem já quer usar a renda, mas cada pagamento sofre IR e o reinvestimento fica por sua conta.
Vale a pena?
Para quem tem horizonte longo e disciplina para não vender antes, travar um ganho real próximo de 7% a 8% ao ano é algo raro na história do Tesouro Direto. Ainda assim, é prudente não concentrar tudo em um único vencimento: combinar prazos diferentes e manter a reserva de emergência em um título de liquidez, como o Tesouro Selic, evita ter que vender o IPCA+ em um momento ruim.